Verdade ou consequência?
Sábado à noite. Ela estava preparada para sair, para mais uma noite. Uma daquelas noites que se auspiciava interessante, já que uma amiga a convidou para uma mega-festa, daquelas que até nem têm piada nenhuma, mas é MEGA e só por isso vale a pena!!
Antes de sair entrou numa das coqueluches da internet em que, a par com os blogs, podes expôr a tua vida, gratuitamente, e também a vida dos teus amigos e demais cidadãos até uma certa altura «anónimos». Tinha um recado - de um anónimo - um rapaz simpático e tal... que a convidou para «se conhecerem melhor», no mundo virtual, claro! Aceitou o convite, pelas fotos que viu parecia aprazível e, em menos de três minutos, tinha um «amigo» novo!!
Isto é o progresso, arranjar um «amigo», que mais tarde até se pode tornar mais intímo que a nossa própria intimidade. É a ilustração do poder da «banda larga» e para os mais fraquinhos da linha RDIS, quiçá!!!
Continuando... a conversa começou, dentro dos limites estabelecidos por ela, à priori: «nada de ordinarices, de grandes confianças para que isto corra bem», avisou. Ele aceitou. Esta primeira abordagem causou-lhe alguma pica, talvez ... e lá se começaram a «conhecer». Bateu a meia-noite, a amiga já tinha mandado três toques para o telemóvel, mas a conversa estava a ser interessante, teve que descer e seguir para a festa. Naquele momento até teria sido mais agradável continuar noite adentro pela internet, do que chegar à porta da MEGA FESTA e ter mais de 200 miúdos a tentar entrar - resultado: não foi à mega festa e deixou o seu novo «amigo» pendurado.
Mas a estória - sim porque qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, mas não é a Margarida Rebelo Pinto que conta, ok? - continuou... por mais umas largas semanas. Passavam horas a falar e a trocar «agradáveis» impressões. Trocaram telefones, mensagens, apresentaram-se através da web cam e daí à troca de palavras e gestos carinhosos foi um flash!! Já pareciam namorados (apesar de nunca se terem visto). Enquanto trabalhavam, nos seus locais de trabalho - redundante, eu sei - ambos, na sua parte do globo, universo, metro quadrado, região, localidade, bairro, subúrbio, ou apenas algures... tinham sempre o cuidado de dar aquele beijo virtual, aquele sorriso escondido - estava mesmo escondido - ao seu novo/a amigo/a. Depois do trabalho, ele e ela corriam para casa para continuar... e continuar... e continuar... a conversar! E aquele pseudo-quase-namoro-virtual enchia os seus egos de emoção! Até ao dia...

2 Comments:
Pois... até ao dia da realidade, q desmascara o mundo virtual. SQUAW
Mas a realidade só é penosa quando se projectam imagens "japonesas"....sombras ilusórias que passamos, e não a verdade que somos.
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